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Remuneração de conselheiros: quanto e como pagar

Giovani Beirigo 31 de julho de 2026 8 min de leitura

Toda empresa que decide montar um conselho chega, mais cedo ou mais tarde, à pergunta que ninguém gosta de fazer em voz alta: quanto pagar para essas pessoas estarem na mesa. A remuneração de conselheiros parece um detalhe administrativo, mas é uma das decisões que mais revela a maturidade da governança de uma companhia. Pagar pouco demais afasta os bons. Pagar de qualquer jeito atrai quem está ali pelo cheque, não pela contribuição. O ponto de equilíbrio é o que separa um conselho que cria valor de um que apenas decora o organograma.

Esse é um tema de fundo de funil para quem já entendeu o porquê de ter um conselho e agora precisa estruturá-lo na prática. E a prática começa por reconhecer uma verdade simples: conselheiro bom custa, e custa porque entrega.

O que de fato se está pagando

Quando uma empresa remunera um conselheiro, ela não está comprando horas de reunião. Está comprando julgamento, experiência cicatrizada em outros negócios, uma rede de relacionamentos e, sobretudo, a coragem de dizer o que o fundador às vezes não quer ouvir. O valor de um conselheiro raramente aparece na reunião em si, aparece nas decisões que ele ajuda a tomar e nos erros que ajuda a evitar.

Por isso a conta não pode ser feita olhando apenas para o tempo presencial. Um conselheiro experiente pensa no negócio fora da pauta, atende uma ligação num momento crítico, faz uma apresentação difícil acontecer. A remuneração precisa refletir essa disponibilidade, não apenas o calendário de reuniões.

As formas mais comuns de remunerar

Na prática, a remuneração de conselheiros costuma combinar três componentes, em proporções que variam conforme o porte da empresa e o estágio da governança.

O honorário fixo mensal ou por reunião é a base. É a contrapartida pela presença, pela preparação e pela responsabilidade assumida. Funciona bem porque é previsível para a empresa e justo para o conselheiro, que sabe com o que pode contar.

A participação em resultados, quando existe, alinha o conselheiro ao desempenho do negócio. Não é regra em todo conselho, e precisa ser desenhada com cuidado para não transformar o conselheiro em alguém com pressa por resultado de curto prazo, justamente o oposto do que se espera de quem deveria pensar no longo prazo.

O reembolso de despesas, por fim, cobre deslocamentos, hospedagens e custos diretos ligados à função. Parece óbvio, mas é a parte que mais gera mal-estar quando não está combinada desde o início.

Quanto é razoável pagar

Não existe tabela universal, e desconfie de quem oferece uma. O valor depende do tamanho da empresa, da complexidade do negócio, da senioridade que se busca e da frequência das reuniões. Um conselho consultivo de uma empresa familiar de médio porte trabalha numa faixa, um conselho de administração de uma companhia em processo de captação trabalha em outra bem diferente.

O que vale como princípio é a proporcionalidade. A remuneração precisa ser alta o suficiente para atrair e reter pessoas que a empresa não conseguiria contratar como executivos, e baixa o suficiente para caber no orçamento sem virar peso morto. Um bom teste é perguntar se o valor pago seria defensável diante dos sócios numa reunião difícil. Se a resposta é sim, provavelmente está calibrado.

Conselheiro caro não é o que cobra mais. É o que custa e não contribui.

A diferença entre conselho consultivo e de administração

Essa distinção muda a lógica da remuneração. O conselheiro de administração tem deveres legais, responde por suas decisões e assume um grau de responsabilidade pessoal que o conselheiro consultivo não tem. Essa responsabilidade precisa ser precificada. Quem assume risco jurídico merece contrapartida proporcional ao risco.

No conselho consultivo, a função é aconselhar, não deliberar. A remuneração tende a ser mais enxuta, refletindo um papel de menor exposição. Misturar as duas lógicas, pagando como administração quem só aconselha, ou cobrando responsabilidade de administração de quem é pago como consultor, é fonte certa de desalinhamento.

Como formalizar sem deixar pontas soltas

A remuneração de conselheiros precisa estar documentada com a mesma seriedade de qualquer relação relevante da empresa. O valor, a periodicidade, o que está incluído, o que é reembolsável, as condições de saída, tudo isso ganha clareza quando está escrito. Combinar de boca, na confiança, funciona até a primeira divergência.

Vale também atenção ao aspecto tributário e à forma jurídica do pagamento, que variam conforme a estrutura da empresa e o vínculo do conselheiro. É o tipo de detalhe que parece menor e custa caro quando ignorado. Nesse ponto, contar com quem entende de estruturação societária, como o time do BBM costuma orientar, evita que uma boa decisão de governança vire um problema fiscal lá na frente.

O sinal que a remuneração manda

Há um efeito que poucos percebem. A forma como uma empresa remunera seu conselho diz muito sobre como ela enxerga a própria governança. Companhias que tratam o conselho como custo a ser espremido tendem a ter conselhos fracos, esvaziados, que ninguém leva a sério. Companhias que entendem o conselho como investimento atraem gente que realmente move o ponteiro.

A remuneração, vista assim, não é despesa. É o preço de ter, na mesa de decisão, pessoas capazes de elevar o nível das escolhas que definem o futuro do negócio.

O que levar disso

Definir a remuneração de conselheiros é, no fundo, decidir quanto vale ter gente boa ajudando a pensar a empresa. A estrutura mais saudável combina um honorário fixo justo, eventual participação em resultados desenhada com cuidado e reembolso claro de despesas, sempre proporcional ao porte do negócio e à responsabilidade assumida. Formalizada com seriedade, ela transforma o conselho de um item de organograma em um dos ativos mais valiosos da governança. Pagar bem por conselho bom não é gasto, é uma das decisões mais estratégicas que uma companhia pode tomar.