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O desafio intelectual como fator de engajamento de equipe.


Esse texto nasceu dessa mensagem que enviei para um amigo: "normalmente o advogado gosta de ser desafiado com perguntas que desafiam o conhecimento dele. então repetidamente e em alto volume ficar respondendo coisas mais simples desgastam mais o colaborador.. tem que desse pessoal pra sempre estar passando um desafio jurídico" Uma das maiores dificuldades na gestão de equipes não está na pressão de prazos, mas sim no manter esses advogados engajados. Diferente de outras áreas, onde a motivação pode vir de metas comerciais ou reconhecimento externo, na advocacia, o combustível para alguns profissionais talentosos é o desafio intelectual.


Existe uma boa parcela de advogados que são movidos ao desafio intelectual. É encontrar soluções criativas com poucas ferramentas, praticamente "inventar a roda".


O problema é que uma rotina repetitiva de responder a questões simples e operacionais pode rapidamente desgastar um profissional que busca esse tipo de estímulo no seu trabalho. Por isso, um dos papéis mais estratégicos de uma boa gestão é garantir que os advogados tenham desafios constantes para resolver nesse entremeio de repetições.


Fácil de exemplificar: Já repararam o alto nível de turnover de escritórios conhecidos por serem "de massa"?


O desafio como fator motivacional


Ao longo dos últimos anos gerindo equipes - fantásticas, diga-se de passagem - percebi que é comum que advogados tendam a se desmotivar quando não são estimulados com questões que desafiem seu conhecimento.

Se um advogado passa o dia todo resolvendo apenas demandas repetitivas e operacionais, sem uma dose de complexidade que o faça pensar, ele pode perder o entusiasmo e começar a encarar o trabalho apenas como uma obrigação. Mas se, ao longo da rotina, ele recebe uma situação mais difícil, uma atendimento desafiador ou uma nova estratégia para estruturar, não é difícil ver o olhar dessa pessoa brilhar novamente.



O papel do gestor na criação de desafios

O gestor de uma equipe precisa ser intencional ao distribuir desafios. Tenho aprendido muito sobre esse tema e tenho praticado:

  • Rotação de casos estratégicos: Permitir que os advogados participem de desafios variados, como estruturação de operações, negociações complexas ou desenvolvimento de pareceres mais inovadores.


  • Responsabilidade progressiva: Conforme o profissional demonstra domínio sobre determinadas tarefas, oferecer desafios mais sofisticados e que exijam maior autonomia.


  • Debates e discussões técnicas: Criar um ambiente onde os advogados sejam incentivados a debater teses, divergências interpretativas e estratégias processuais.


  • Mentoria e ensino: Profissionais experientes se mantêm engajados quando têm a oportunidade de ensinar e desafiar os mais jovens, promovendo um ciclo de aprendizado contínuo.


É "chamar pro jogo", delegar estrategicamente e confiar na sua equipe.


Engajamento não é apenas sobre salário


Muitos gestores acreditam que reter talentos passa apenas por bons salários e benefícios. Mas a realidade é que um advogado desmotivado pode sair mesmo com uma remuneração competitiva, se sentir que não está crescendo intelectual e profissionalmente. É o tal do "vejo que daqui X anos estarei fazendo a mesma coisa", ou "não tenho perspectiva de crescimento aqui.".


Por isso, um gestor que deseja manter advogados engajados precisa entender que o desafio faz parte do pacote. Não se trata apenas de trabalhar muito, mas de trabalhar com propósito e sentir que o conhecimento está sendo colocado à prova e aprimorado diariamente.


O advogado que se sente desafiado se torna um profissional mais comprometido e, consequentemente, mais valioso para o escritório e para os clientes.

 
 
 

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